sábado, 2 de agosto de 2014
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Ainda o Glúten: suspeitas procedem? (cont.)
terça-feira, 29 de julho de 2014
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Próximas Postagens: assuntos para o professor de Biologia
Para os professores que têm me escrito não posso senão me desculpar por ter ficado tão parado assim neste ano com o blog. Mas a justificativa é boa, pois estou trabalhando em uma nova versão do blog, sem os problemas que temos enfrentado, entre eles a colocação de links malignos nos textos.
O novo blog estará em um site seguro, com domínio próprio, que não irá comercializar nenhum produto, mas que terá muitos recursos disponíveis para professores de ciências e biologia, entre eles textos de apoio, vídeos exclusivos, apresentações powerpoint (na versão BR office, em software livre), textos sobre assuntos variados e uma área onde os professores poderão fazer solicitações, ou mesmo oferecer materiais para compartilhamento gratuito.
Os primeiros textos aparecerão aqui em versão resumida, mas estarão nesse site próprio em versão completa, com links seguros para imagens, vídeos, outros sites etc. Além disso, teremos uma frequência regular, com pelo menos uma postagem por semana, cobrindo temas variados, sempre tangenciando a biologia.
Os primeiros textos serão:
GLÚTEN: "veneno" a evitar?
e o segundo
O que todo professor de biologia deve saber sobre MACONHA .
Sugestões de novos assuntos podem ser encaminhadas para o e-mail:
Peço para redigitar esse endereço em seu próprio aplicativo de e-mail, para evitar os problemas costumeiros...
Abraço a todos!
O novo blog estará em um site seguro, com domínio próprio, que não irá comercializar nenhum produto, mas que terá muitos recursos disponíveis para professores de ciências e biologia, entre eles textos de apoio, vídeos exclusivos, apresentações powerpoint (na versão BR office, em software livre), textos sobre assuntos variados e uma área onde os professores poderão fazer solicitações, ou mesmo oferecer materiais para compartilhamento gratuito.
Os primeiros textos aparecerão aqui em versão resumida, mas estarão nesse site próprio em versão completa, com links seguros para imagens, vídeos, outros sites etc. Além disso, teremos uma frequência regular, com pelo menos uma postagem por semana, cobrindo temas variados, sempre tangenciando a biologia.
Os primeiros textos serão:
GLÚTEN: "veneno" a evitar?
e o segundo
O que todo professor de biologia deve saber sobre MACONHA .
Sugestões de novos assuntos podem ser encaminhadas para o e-mail:
Peço para redigitar esse endereço em seu próprio aplicativo de e-mail, para evitar os problemas costumeiros...
Abraço a todos!
domingo, 6 de abril de 2014
Como anda o ensino de ciências no Brasil
Entrevista para a revista Educação:
1 – É fato que o ensino de Ciências no Brasil não trabalha o desenvolvimento do pensamento científico e se resume à explanação e observação de fenômenos e a realização de experiências? Em caso afirmativo, por que o ensino de Ciências no Brasil se configurou dessa forma?
Não há dados com amostragem nacional sobre isso. Temos dados sobre o que os alunos pensam do ensino de ciências, com amostragem de validade nacional e regional, mas carecemos de pesquisas in loco com a mesma validade amostral. O “achismo” impera nessa área, desde Rui Barbosa, que fala de como se ensina a ciência no Brasil no final do século XIX em conhecida manifestação, mas pouco se fez para saber, de fato, como se ensina ciência no Brasil naquela época e hoje. Há pouca pesquisa. Fizemos uma pesquisa sobre as questões de Biologia do ENEM com resultados muito importantes, muito bem recebidos até pela coordenação do PISA; do MEC, o que recebemos foi uma "bronca" de um funcionário do INEP no congresso europeu onde apresentamos o trabalho, que teve inscrição, passagem e estadia pagos pelo erário para nos criticar; no entanto nada foi feito para entender nossa pesquisa, cujas consequências são seríssimas (veja adiante).
2 – É fato que há poucos projetos de iniciação científica que possibilitem aos alunos utilizar metodologias de pesquisa, levantar hipóteses, fazer registros etc., tudo isso com rigor científico? Por que isso ocorre?
A “iniciação científica” é uma modalidade bem conhecida de trabalho na graduação e deveria proporcionar essas possibilidades. Eu não concordo que seja “fato” que ela não existe; eu mesmo fui bolsista de iniciação científica durante toda a minha graduação (há quase trinta anos!), com bolsa da FAPESP, o que foi inclusive determinante para minha formação científica. Tive mais de trinta bolsistas de iniciação científica, e estou selecionando mais candidatos neste exato momento. Para mim, a iniciação científica é tão ou mais importante que o doutorado.
3 - Faltam professores capacitados para trabalhar com metodologias científicas? As licenciaturas em Ciências formam que tipo de professor, de maneira geral?
As generalizações são temerárias. O Brasil é um país muito diverso, e há escolas públicas muito boas, como há outras muito ruins. As universidades públicas estão seguindo (infelizmente) o mesmo padrão. Até há pouco tempo, os cursos ruins de formação de professores eram principalmente privados; hoje há cursos gratuitos oferecidos pelo poder público, que são tão ruins ou inclusive piores (infelizmente) dos piores cursos privados, formando professores que estarão nas escolas públicas pelos próximos trinta anos. Não sei se é motivo de comemoração, mas esses cursos gratuitos sem qualidade têm alta evasão, ou seja, o número efetivo de professores formados é relativamente pequeno. A lamentar, apenas o desperdício de recursos públicos para a educação.
4 - Qual a importância de desenvolver o espírito investigativo e o pensamento científico nas escolas?
Um país que não estimule o pensamento científico nas escolas está condenado a ser espectador da inovação no mundo moderno, importanto novas tecnologias e produtos tecnológicos. Se o Brasil não acordar, teremos problemas crescentes com o balanço de pagamentos, que já dá sinais alarmantes. Não podemos pensar que isso seja função apenas das universidades; devemos começar na educação infantil!
5- O ensino de Ciências tal como ocorre hoje é realmente um dos motivos que explica o baixo número de profissionais na área?
Não entendi a pergunta. Se posso refraseá-la, direi que estive há pouco em São Francisco do Sul (SC) e os professores de Biologia de lá me disseram que está aberto um concurso para motorista no porto que oferece salário inicial de cerca o dobro do salário de professor. Isso explica a falta de professores da área científica. Com baixo desemprego, há opções e os professores competentes são heróis que batalham para permanecer no magistério, mesmo tendo opções mais vantajosas no mercado de trabalho.
6 – O que está sendo feito – pelo governo, universidades, outras instituições – para mudar esse quadro?
Há várias ações em curso, mas sua efetividade ainda aguarda avaliação adequada a fim de aferir sua eficácia, De qualquer forma, sem bons salários será difícil atrair e manter bons professores de Biologia, Química e Física na educação básica. As boas escolas particulares conseguem, mas pagam bons salários.
7 - A inclusão de questões de Ciências na Prova Brasil indica alguma mudança no entendimento do ensino de ciência?
A retirada do componente de ciências do SAEB foi uma decisão política, tomada no início do ano 2000, e equivocada no meu entendimento. Fui convidado pelo Congresso Nacional a apresentar uma defesa de retornar a aferir o aprendizado nessa área, ainda no ano de 2005, e logo em seguida foi anunciada sua reintrodução pelo MEC. No entanto, ela nunca se efetivou. Se ocorrer agora, apesar do atraso e sem entrar na contabilidade do IDEB, mesmo assim será um avanço.
8 – O senhor teria textos seus a respeito do assunto? Teria outros nomes para indicar para eu entrevistar?
Acaba de ser publicado um texto bombástico:
Ele foi avaliado por especialistas europeus e aprovado com alta recomendação (aprovado sem necessidade de modificações). Nesse artigo mostramos que o ENEM não avalia o que diz avaliar, e provamos, com todo rigor estatístico dos dados, que o aluno que lê todo enunciado das questões PERDE TEMPO, pois não só não ajuda como atrapalha a resolução das questões. Isso tem implicações seríssimas, pois invalida a aplicação da chamada TRI, a retificação da classificação dos alunos.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Criacionismo x evolucionismo: literalismo religioso e materialismo darwiniano em questão
Já está publicado o segundo número da revista Filosofia e História da Biologia, em sua versão online. Para quem tem o google basta isso para achar o número 2 do volume de 2013. A seção sobre criacionismo x evolucionismo está muito interessante, com diversos artigos. O acesso é livre.
O meu enveredou em uma investigação sobre o cristianismo, procurando entender a acusação frequente de heresia contra cientistas. A conclusão é a de que o livro do Gênesis foi reabilitado pelo cristianismo primitivo, em função do abandono das leis de Moisés. Ao deixar de observar os termos originais da criação, poder-se-ia ser confundindo com prosélitos de seitas condenadas por heresia, como os docéticos e gnósticos. O próprio batismo de "agnosticismo" tem tudo a ver com isso, como abordo no artigo.
Espero poder debater o artigo neste espaço! A época natalina convida a rever temas bíblicos!
Abraço a todos!
O meu enveredou em uma investigação sobre o cristianismo, procurando entender a acusação frequente de heresia contra cientistas. A conclusão é a de que o livro do Gênesis foi reabilitado pelo cristianismo primitivo, em função do abandono das leis de Moisés. Ao deixar de observar os termos originais da criação, poder-se-ia ser confundindo com prosélitos de seitas condenadas por heresia, como os docéticos e gnósticos. O próprio batismo de "agnosticismo" tem tudo a ver com isso, como abordo no artigo.
Espero poder debater o artigo neste espaço! A época natalina convida a rever temas bíblicos!
Abraço a todos!
sábado, 23 de novembro de 2013
Enfoque evolutivo estará no currículo de Biologia do ensino médio do Texas
Ontem foi um dia muito especial em
Dallas, no Texas. Todo o país ficou focalizado naquela curva, em
frente a um antigo depósito de livros didáticos, no sexto andar de
um prédio de tijolos aparentes, onde corais cantavam de maneira
emocionada os cinquenta anos da morte de JF Kennedy.
Visitei o local há alguns anos e me
emocionei. Transformado em um museu, é ponto de visitação
obrigatório na cidade. Em frente `a janela de onde saíram os tiros,
o local está rigorosamente como naquele dia, cinquenta anos atrás, com as caixas de livros didáticos.
Nas outras salas, um pouco da história daquele presidente, que
esteve `a frente de um país já muito poderoso, quando quase foi
detonada uma guerra nuclear.
Naquele mesmo dia, morria
aos 69 anos Aldous Huxley, em Los Angeles. Escritor inglês famoso, deixou uma
obra impressionante, assim como seu avô, Thomas Huxley, o “buldogue
de Darwin”, que chegou a conhecê-lo em seu primeiro ano de vida, e
Julian Huxley, seu irmão, um dos pilares da síntese moderna da
evolução e atuante político (foi um dos fundadores da UNESCO).
Essa triste coincidência deixou marcas
no dia de ontem, exatos cinquenta anos depois, quando obviamente muito se falou
de JFK e, pelo menos que eu saiba, ninguém se lembrou do autor de
Adorável Mundo Novo e (meu preferido) Sem Olhos em Gaza (ambos
disponíveis em língua portuguesa). O livro, diga-se de passagem,
nada fala de Gaza, mas compara a falta de visão de heróis da
antiguidade e de sua época, tratando dos fanatismos e do fundamentalismo religioso,
comparando sua cegueira pessoal (ele tinha baixa visão) com a
provocada pelos extremismos.
Os livros didáticos do Texas foram lembrados ontem não apenas naquele depósito do sexto andar.
Os livros didáticos do Texas foram lembrados ontem não apenas naquele depósito do sexto andar.
Uma
estranha coincidência cósmica se concentrou em Dallas, Texas, ontem, ligando os temas dos Huxley, livros didáticos, e a crença na construção de um mundo livre da cegueira dos fanatismos. Ela surpreenderia o clã Huxley e todos os
que lutam contra o obscurantismo anticientífico. Ao lado das
celebrações da efeméride comovente, o Conselho de Educação do
Texas divulgava, na mesma Dallas, a decisão de aprovar, pela primeira vez na história, livros didáticos de
Biologia que não abordam o criacionismo e o design inteligente, e
apresentam a evolução biológica como uma das bases da ciência
moderna.
As editoras estadunidenses, que
tradicionalmente preparavam edições especiais para estados
sulistas, evitando temas como reprodução humana, sexo, evolução
biológica, e até mesmo mudanças climáticas globais, desta vez
resolveram seguir as orientações da maioria dos estados americanos
– e do mundo! - incorporando esses assuntos ao currículo de
Biologia. Eles se recusaram a promover os cortes que já tinham se
acostumado a fazer no passado. Mas isso, hoje, se tornou quase
impossível, pois os livros modernos de Biologia de todo o mundo não restringem a abordagem
evolutiva a um único capítulo, como antigamente (no Brasil era geralmente o
último!).
A decisão terá repercussão pelos
próximos dez anos, enquanto os livros circularem, e certamente além,
pois não é possível entender o mundo moderno sem entender a
Biologia de nossos dias. Ao mesmo tempo, essa decisão traz ânimo a
todos os que lutam em favor do crescente esclarecimento humano, contra os
fundamentalismos que turvam a visão humana.
Aldous Huxley enxergou longe!
Para mais informações (copie e cole em seu navegador):
http://blogs.dallasobserver.com/unfairpark/2013/11/creationists_fear_defeat_in_th.php
http://www.dallasobserver.com/2013-11-14/news/creationists-last-stand-at-the-state-board-of-education/
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