domingo, 2 de junho de 2013
Começou o "Woodstock da Biologia Evolutiva": III World Summit on Evolution
sexta-feira, 5 de abril de 2013
OBRIGATORIEDADE EDUCACIONAL ESTENDIDA e CURSO NORMAL de NíVEl MÉDIO DE VOLTA!
A questão básica, a meu ver, não é a de polemizar essa obrigatoriedade, mas sim, questionar se os municípios terão a capacidade de universalizar a pré-escola em 2016! Hoje, nem a cidade de São Paulo consegue fazer isso!
Outra mudança importante é a de que a formação dos professores volta aos moldes originais da lei de 1996, ou seja, se admite a formação em nível médio, na modalidade normal, para os professores que atuarão na pré-escola e nos cinco anos iniciais do ensino fundamental.
Para os que conhecem minha trajetória, não será difícil recordar o que ocorreu há dez anos, quando o ministro Cristovam Buarque homologou um parecer do Conselho Nacional de Educação que dizia justamente isso, diante da difusão generalizada da informação de que os professores com formação de nível médio na modalidade normal perderiam o direito de trabalhar. Basta olhar postagens anteriores deste mesmo blog para encontrar resquícios dessa polêmica, nos tribunais inclusive. Como o parecer era de minha lavra, passei a receber ofensas de todo tipo, inclusive um editorial agressivo de um grande e tradicional jornal paulistano no início de agosto de 2003. Minha mãe foi ofendida com os piores palavrões no plenário da Câmara de Educação Básica daquele conselho, apenas e tão somente pela análise jurídica que o parecer fazia.
Pois bem, o artigo 62 daquela lei mudou, o Congresso votou, o presidente sancionou a mudança, e se falou muito que o curso normal de nível médio ia acabar. Agora, vejam só, o artigo 62 ganhou nova redação, mas o curso normal de nível médio continua lá e desta feita não houve editorial no estado de São Paulo... É mole?
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Encontro da Associação Brasileira de Filosofia e História da Biologia
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
III Encontro de Ciências Biológicas da UEL
10.000 acessos!
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Edward Wilson e o fim da Sociobiologia
Caro professor Bizzo,
>>>
>>>
>>>
>>> Tudo bem por aí? Espero que sim. Sou editor de Ciência da Folha de S.Paulo e
>>> gostaria muito de entrevistá-lo.
>>>
>>>
>>>
>>> Estou fazendo uma reportagem grande na Folha sobre a virada pró-seleção de
>>> grupo no pensamento do Edward O. Wilson - um livro recém-lançado dele vai
>>> contra a própria ideia de seleção de parentesco, dizendo que há poucas
>>> evidências empíricas sólidas a respeito dela.
>>>
>>>
>>>
>>> Gostaria muito de conversar com o senhor a respeito entre amanhã e quarta.
>>> Posso ligar para o senhor? Em quais telefones o encontro?
>>>
>>>
>>>
>>> Abraço e obrigado,
>>>
>>> -------------------
>>> Reinaldo José Lopes
>>> Editor de Ciência e Saúde/Science and Health editor
>>> Folha de S.Paulo
Caro Reinaldo,
>>
>> Como vai?
>> Estou de saída para o simpósio de J.Pessoa. Vc. vai?
>> (http://www.iseb2012.com/#!
>> Vc. vai encontrar alguns dos maiores geneticistas do planeta lá, que
>> bem poderiam falar sobre o assunto muito melhor do que eu.
>>
>> De minha parte, já te adianto que não me surpreende. Eu era estudante
>> de pós-graduação e já dizia que uma conjectura (que, na verdade era de
>> W.D.Hamilton, em seus dois artigos no Journal of Theoretical Biology,
>> de 1964), não podia ser apresentada como uma verdade absoluta. Cursei
>> a disciplina "Sociobiologia" durante o mestrado, e lembro-me que no
>> trabalho final, batizei a “nova ciência” de "compadrio genético" e
>> levantei outra conjectura, igualmente válida, dizendo que, se as de
>> Wilson estivessem corretas, o editor do livro “Sociobiology” deveria ser seu
>> aparentado. Quase fui reprovado! Para retribuir a gentileza, traduzi
>> dois artigos do "Science for the People Group" (do Garland Allen,
>> S.J.Gould e Cia.) e os publiquei pelo Centro Acadêmico da Biologia com
>> lindes de crueldade: uma das palavras-chave da ficha catalográfica era
>> "nazibiologia"! (achei há pouco uma cópia sobrevivente e me diverti
>> muito).
>>
>> Pois é, como dizem, o que se faz aqui se paga aqui...
>>
>> Se vc. não for ao congresso, podemos combinar por e-mail (não sei
>> ainda o nome do hotel em qeu vou ficar, mas certamente tem internet).
>>
>> Abraço,
>>
>> Nelio
> Oi professor,
>
> que pena, não estava sabendo do congresso. Seria uma oportunidade e tanto!
>
> Vou mandar algumas perguntas por email em breve então. De pronto, será que posso citar essa história pessoal sua na reportagem? É muito interessante e iconoclasta, me parece.
>
> Abraço e nos falamos,
> -------------------
> Reinaldo José Lopes
> Editor de Ciência e Saúde/Science and Health editor
> Folha de S.Paulo
Caro Reinaldo,
Sim, pode usar essa história pessoal. Ela ocorreu em 1981 e conversei
pessoalmente com o Garland Allen recentemente sobre ela há pouco tempo.
Vamos`as questões:
1)Quanto o senhor acha que tem de bagagem ideológica nas guinadas do Wilson? Tinha mesmo um elemento de conservadorismo político na defesa dele da seleção de parentesco? E tem isso também nessa volte-face pró-seleção de grupo?
Acho que a carga ideológica da seleção de parentesco era evidentemente
muito grande, pois era uma justificativa muito forte para o
determinismo genético e uma série de práticas sociais moralmente
inaceitáveis, como o racismo e a xenofobia. O "Science for the People
Group" estava denunciando isso, mas de qualquer forma, do ponto de
vista brasileiro, estávamos em plena ditadura. Chamar a sociobiologia
de naziobiologia foi certamente um exagero, mas não se pode perder de
vista que, como estudantes atuando em um Centro Acadêmico da época,
estávamos apenas razoavelmente exigindo o impossível.
2)Deixando de lado por um instante o lado político-ideológico, o senhor acha que hoje ele está em terreno teórico e empírico mais seguro ao defender a seleção de grupo? Ou, na prática, nada mudou?
A Filosofia da Ciência nos diz que é impossível que o cientista deixe
de ser influenciado pelas suas convicções mais íntimas quando
interpreta a natureza. Mas isso não invalida os produtos da ciência;
tomemos um exemplo clássico: o russo I. Mechnikov (1845-1916), que
inicialmente rejeitou o darwinismo pela sua similaridade com os
valores da sociedade capitalista e depois, dentro de um contexto
inclusive pessoal dramático, mudou completamente de ideia. Ele acabou
por desenvolver a teoria fagocítica, também muito útil ao ethos
competitivo e bélico, mas essencial para entender a imunidade, pelo
que ganhou inclusive o prêmio Nobel. Já argumentei que talvez um Nobel
tenha sido pouco, pois ele nos ensinou que a ciência não se invalida
pela “marca de nascença” social. O problema é seu uso para explicar a
sociedade. Os glóbulos brancos continuam a combater bactérias; o uso
ideológico da teoria fagocítica adviria da justificação das guerras ou
do orçamento militar dos países como sendo algo “natural”.
A seleção de grupo tem uma base
empírica muito ampla e reconhecida e nos ajuda a entender situações
nas quais a seleção darwiniana individual não explica o padrão
observado em grupos de indivíduos que colaboram em vez de competir.Darwin dizia que havia duas coisas que lhe tiravam o sono: a formiga e o pavão. Aliás este é o título de um belo livro da Helena Cronin.
3)Ele argumenta que há um paralelo importante entre a eussocialidade dos insetos sociais e a "eussocialidade" humana. O que o sr. acha? É totalmente estapafúrdio?
A eussociabilidade dos insetos surgiu várias vezes de maneira
independente e a sociabilidade dos primatas não tem, rigorosamente
falando, nenhuma característica homóloga com qualquer de suas versões.
Dizer que podemos compreender a sociedade humana olhando para uma
colméia de abelhas me parece outra típica manifestação daquele cacoete
ideológico que Wilson parece não ter perdido. Talvez seja genético...
Talvez ele seja descendente de uma família que possui um gene que faz
as pessoas pensarem que tudo é genético! [não publique isso, é infame demais!]
Se quiser conversar, podemos combinar pelo skp hj depois
das 18h (o congresso está ótimo!)
Abraço,
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Darwin: postillion of the Andes


